- Estou gostando de uma garota. E agora?
Eu tinha 18 anos quando me perguntei isso. Eu conhecia vários gays, mas nenhuma lésbica. Como elas se comportam? Como reconhecer outras sapatilhas? Que roupas eu deveria usar?
Para minha sorte, já existia o Google. Para meu azar, nada de vida lésbica na rede. A Lesbosfera era tímida, acuada, escondida. Nós não passávamos de um link mixuruca nos menus de portais gays.
E foi assim que eu comecei a blogar.
Na época, era um blog anônimo. Fiz várias amizades, conheci muita gente virtualmente e até pessoalmente. Tive meu próprio grupo de amigas lés e nos reconhecíamos em todos os episódios de The L Word. Tudo era lindo e o mundo era gay.
E então eu descobri que a gente cresce e os blogs mudam. A Antena surgiu da minha ânsia por locais virtuais de cultura e entretenimento lésbico e na mesma época foi criado o portal Parada Lésbica com o seu (nosso) Leskut. Pipocaram sites de sapatilhas, incluindo o The Salto Alto e outra rede de relacionamentos, o Lez Love. Isso sem falar nos blogs de imenso sucesso que já exisitiam e no Dykerama.
A Lesbosfera tornou-se um mar navegável, com atrações para todos os gostos. Porém, e fora da internet? O que havia?
Para mim, resultado não era tão positivo. Apesar de conhecer no mundo virtual várias sapatilhas todas as semanas, a quantidade de lésbicas que eu encontrava fisicamente pelo mundo só diminuía.
E então entendi que, apesar de tudo, continuamos escondidas. Há uma necessidade claustrofóbica de ser feminina e parecer hétero, de se comportar "discretamente". Permanecemos tão invisíveis que mantemos relacionamentos falidos por medo de nunca mais encontrar outra garota interessante. Aprendemos a achar o Gaydar o instinto mais fantástico do universo, sem perceber que ele é uma ferramenta da nossa própria opressão. Ainda procuramos a princesa encantada que nos fará feliz para sempre em Leskuts e MSNs, e frequentemente nos apaixonamos por garotas a quilômetros de distância. Nos afundamos no drama lésbico e, tão apegadas que somos a ele, acreditamos que o drama é inerente a nossa existência.
Cansei disso tudo. Esse tempo todo que a Antena Paralésbica ficou parada foi por um desânimo extremo meu. Adianta estarmos tão livres na internet quando usamos todas as nossas possibilidades para nos aprisionar ainda mais? Não quero viver unicamente online, nem quero cair nas minhas próprias armadilhas.
Quando eu encontrar algum sentido nisso tudo, voltarei a postar. Até lá, muito obrigada a todas que passam por aqui. A gente se vê em pouco tempo.
Todos os anos, no dia 8 de março nos oferecem rosas em homenagem ao “Dia Internacional da mulher”.
Dizem que a rosa simboliza a "feminilidade", a delicadeza. É a mesma metáfora que usam para coibir nossa sexualidade -- da supervalorização da virgindade é que saiu o verbo "deflorar".
A delicadeza da flor também é sua fraqueza. Qualquer movimento brusco lhe arranca as pétalas. Por sermos o "sexo frágil" devemos ser protegidas. A julgar pelo número de estupros, precisamos de proteção contra os homens. Ah, mas os que estupram são psicopatas, dizem. Não é com estes que nós namoramos e casamos, não é a eles que confiamos nossa proteção. Mas, segundo pesquisa Ibope/Instituto Patricia Galvão, 51% dos brasileiros conhecem alguma mulher que é agredida por seu parceiro. Em 40 a 70 por cento dos assassinatos de mulheres, o autor é o marido ou companheiro. Este tipo de crime aparece na mídia como "passional" -- Tratam os criminosos como "românticos" exagerados.
A rosa também tem espinhos, o que a torna ainda mais simbólica dos mitos que o patriarcado atribuiu às mulheres. Somos ardilosas, traiçoeiras, manipuladoras. Nós é que fomos nos meter com a serpente e tiramos Adão do paraíso. Várias culturas têm a lenda da vagina dentata. Em Hollywood, as mulheres usam a "sedução" para prejudicar os homens e conseguir o que querem. Nos intervalos do canal Sony, os machos são de "respeito" e as mulheres têm "mentes perigosas". Por isso, a sociedade prendeu as mulheres dentro de casa e ainda limitou seus movimentos com espartilhos, sapatos minúsculos (na China), etc. Impediram-na que estudasse, que trabalhasse, que tivesse vida própria. Ela era propriedade do pai, depois do marido. Tinha sempre de estar sob a tutela de alguém, senão sua "mente perigosa" causaria coisas terríveis.
Mas dizem que a rosa serve para mostrar que, hoje, nos valorizam. As mulheres votam e trabalham! Não há mais nada para conquistar! Será mesmo?
Nos últimos anos, as diferenças salariais entre homens e mulheres (que seguem as mesmas profissões) têm crescido no Brasil, em vez de diminuir.
Dizem que a rosa é um sinal de reconhecimento das nossas capacidades. Mas, no ranking de igualdade política do Fórum Econômico Mundial de 2008, o Brasil está em 100º lugar entre 130 países. As mulheres têm 11% dos cargos ministeriais e 9% dos assentos no Congresso -- onde, das 513 cadeiras, apenas 46 são ocupadas por elas. Do total de prefeitos eleitos no ano passado, apenas 9,08% são mulheres. E nós somos 52% da população.
A rosa também simboliza beleza. Mas é só passar em frente a uma banca de revistas para descobrir que é o contrário. Você nunca está bonita o suficiente. Não pode ser feliz enquanto não emagrecer. Não pode envelhecer nem ter celulite, nem espinhas nem estrias nem olheiras nem cicatrizes nem hematomas. Deve ser igual à modelo da capa (que usa photoshop).
No dia 8 de março, nos dão uma rosa como sinal de respeito. No entanto, a misoginia está em toda parte. Os anúncios e ensaios de moda glamourizam a violência contra a mulher. Nas propagandas de cerveja e programas humorísticos, as mulheres são meros objetos sexuais. A multibilionária indústria da pornografia mostra cada vez mais cenas de violência contra a mulher. Nos videogames, ganha pontos quem atropelar prostitutas ou estuprar uma mãe e suas filhas.
Todo dia 8 de março, vejo mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem. Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres. Eles não punem os responsáveis. Preferem isolar as vítimas.
Enquanto não combatermos a idéia de que as mulheres que andam sozinhas por aí são propriedade pública, isso nunca vai deixar de existir. Enquanto acharem que cantar uma mulher na rua é elogio, idem.
Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.
Texto de Marjorie Rodrigues, adaptação Bia A - http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=59614990
Warren Beatty quer Lindsay Lohan... como filha
Postado por Águeda Macias Marcadores: cinema, fofocasWarren Beatty, o Clyde de Bonnie & Clyde, está interessado em voltar às telonas e declarou que quer Lindsay Lohan no papel de sua filha. O lendário ator de 72 anos fez essa proposta com uma condição: ela deve morar com ele, ou em uma de suas casas de hóspedes, até o fim das filmagens.
Olá meninas! Quanto tempo, não? Como foi o Carnaval de vocês? O meu, aqui nessa loucura que é o Carnaval de Brasília, foi uma folia na casa de amigos com muito videogame. E, de vez em quando, para relaxar um pouco, a gente via TV. E foi vendo TV que percebi uma coisa...

Conheça Alapine, a comunidade lésbica
Postado por Águeda Macias Marcadores: elas fazem a diferença, feminismo, LGBT, visibilidade lésbica"Eu vim para cá porque eu queria estar em meio a natureza, e porque eu queria ter vizinhas lésbicas."
Emily Greene, sobre a comunidade lésbica Alapine, no Alabama, Estados Unidos.
Sim, ela existe. Não é divulgada para evitar pessoas mal intencionadas, e é guardada por um portão cuja senha é trocada frequentemente. A entrada só é permitida a lésbicas - homens e mulheres héteros só podem visitar Alapine após autorização de todas as moradoras.

A comunidade é rural e as mulheres se reúnem para jantar, assistir filmes e para os círculos da lua cheia, nos quais elas cantam e recitam poemas. Elas afirmam que uma comunidade de mulheres é repleta de cooperação e tranquilidade.
Aparentemente, Alapine reúne lésbicas que querem uma vida calma no campo entre outras mulheres, sem chamar atenção de outras pessoas. Morgana MacVicar, uma das fundadoras, alega que as moradoras não anunciam sua lesbianidade. "As pessoas sabem quem nós somos. Não queremos alguém que esteja fazendo uma declaração política aqui".
A notícia completa pode ser lida no site do New York Times.
A matéria me deu o que pensar e até agora não tenho opinião formada sobre Alapine. Talvez esta comunidade tão bem-intencionada só contribua para isolar as lésbicas do mundo, nos mantendo invisíveis e sem direitos. Porém, ao mesmo tempo, me questiono: quem somos nós para criticar essas mulheres que só querem ter uma vida realizada, plena e feliz num universo completamente feminino?
Deixo essa reflexão para você. O que você acha de Alapine?
Islândia poderá ter a primeira premiê lésbica assumida do mundo
Postado por Águeda Macias Marcadores: visibilidade lésbicaA ministra de assuntos sociais da Islândia, Johanna Sigurdardottir, pode se tornar a primeira mulher assumidamente lésbica a se tornar premiê no planeta.
Isso ocorrerá se o líder do Partido Social Democrata, Ingibjörg Gisladottir, aceitar a solicitação do presidente islandês, Olafur Ragnar Grímsson, que lhe pediu para criar um coalisão a fim de governar o país. Recentemente escolhida como figura política mais popular da Islândia, Sigurdardottir é a parlamentar mais cogitada para ocupar interinamente o cargo de premiê. Ela é deputada desde 1978 e tem 66 anos de idade.
Na última segunda-feira, dia 26 de janeiro, o primeiro-ministro Geir Haarde renunciou ao cargo junto de todo seu gabinete. Ele justificou a saída em função da crise financeira que o país enfrenta. Por conta disso, eleições gerais foram marcadas para 9 de maio e, até lá, o presidente é obrigado a indicar um substituto que ocupará o cargo interinamente.
"Decidi solicitar aos líderes do Partido Social Democrata e do Partido Verde que iniciem um diálogo a fim de formar um novo governo minoritário apoiado pelo Partido Progressista", afirmou o presidente na manhãs desta terça-feira, dia 27. Ele não disse o nome de Sigurdardottir, mas a imprensa islandesa cogita que ela será a indicada para o cargo.
Fonte: G News.
Rock Band e Suicide Girls
Postado por Águeda Macias Marcadores: meu feminismo foi parar no sutiã delaA mais nova campanha publicitária do jogo Rock Band teve como protagonistas 4 Suicide Girls.
Eu detesto propagandas baseadas em "olha como a mulher é gostosa e olha como meu produto é bom". Já bastam todos os comerciais de cervejas em que a mulher é praticamente servida como aperitivo...
Mas, como ninguém é de ferro, coloco a foto mais light da campanha para vocês avaliarem. Beeem interessante, né?


